sexta-feira, 28 de junho de 2019 - 15h19 / Atualizado em sexta-feira, 28 de junho de 2019 - 18h34

Há 50 anos, Vera Fischer conquistava o título de Miss Brasil

"Me senti ganhando o mundo. Tenho o vestido, a faixa e a coroa originais do título", contou a atriz em entrevista

Vera Fischer, aos 17 anos, durante o desfile de maiô do Miss Brasil 1969 Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo

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O ano era 1969, e foi no dia 28 de julho, que a jovem Vera Fischer, aos 17 anos, conquistou o Brasil inteiro ao ganhar o concurso de Miss Brasil.

A então adolescente, nascida em Blumenau, Santa Catarina, se saiu muito bem em todos os quesitos, informando ao público que seu prato predileto era o estrogonofe e que adorou ler o livro Meu Pé de Laranja Lima. Desfilou para jurados e saiu da passarela com a coroa e o cetro de campeã.

De lá para cá, muita coisa mudou na vida de Vera, que se transformou em uma grande atriz de cinema, teatro e principalmente televisão. Na pessoal, muita agitação, entre altos e baixos. Foi casada com o também ator Perry Salles (1939-2009), com quem teve sua filha Rafaela. Seu outro filho, Gabriel, é fruto da sua relação com o ator Felipe Camargo.

Mas o tema do dia é mesmo os 50 anos desse título de Miss Brasil que a transformou em um ícone da moda e da beleza nacional. E é sobre este assunto que a atriz respondeu a algumas perguntas feitas por e-mail.

Como se sentiu ganhando um prêmio tão badalado, principalmente naquela época? Hoje em dia já não mais o mesmo glamour, não é mesmo?

Olha, o glamour continua. O que não tem é investimento em algo tão bonito. Em vários países da América Latina, do mundo, o concurso é valorizado, todo mundo para pra assistir, torcer, é lindo. Eu me senti ganhando o mundo. Naquela época era assim que uma menina se sentia ganhando o concurso de miss.

Considera esse um tipo de prêmio que valoriza a mulher como objeto? Como vê esse tipo de premiação?

Não tem isso. É um prêmio que valoriza a beleza, a moda, o glamour. Os concursos masculinos também são lindos. Não se pode objetivar a mulher nunca e os tempos são outros. Nós mulheres colocamos a boca no trombone mesmo. O concurso não teria força para transformar a mulher em objeto. Tem força para valorizar a beleza.

Como era a preparação para concorrer a um prêmio desses? Tinha a família ao se lado?

Eu não tive família do lado. Encarei tudo sozinha. Era minha chance de conquistar minha independência e assim fiz. Não era fácil, viagem atrás de viagem, muita gente em volta, tempo para nada, mas eu adorava aquilo tudo.

Como foi sua passagem para a carreira de atriz? Já tinha essa intenção ou surgiu depois do prêmio?

Foi natural. Naquele tempo era natural os concursos de beleza revelarem também as atrizes. Eu queria atuar sim, mas não me achava tão capaz. Deu certo.

Ainda hoje esse título te acompanha, as pessoas lembram disso?

Todos os dias. Quem é miss é miss pra sempre. Todo mundo lembra e comenta como se fosse outro dia. Tenho o vestido, a faixa e a coroa originais do título. Um dia ainda faço um ensaio com eles.

O peso da coroa, para uma menina, foi complicado?

Não. Não senti esse peso. Sou filha de pai alemão. Fui criada para aguentar o peso das coisas.

Mudaria algo na sua trajetória?

Nem um vírgula. Se cheguei até aqui, foi por tudo que passei. Amo minha história, minha vida, meus filhos e tudo que estou colhendo hoje.