“Assim que retomarem as chuvas, vamos ver a recuperação”, diz Salles sobre queimadas no Pantanal

Da Redação 26/10/2020 • 23:14 - Atualizado em 26/10/2020 • 23:21
Mariana Godoy entrevista Ricardo Salles no Melhor Agora
Mariana Godoy entrevista Ricardo Salles no Melhor Agora
Reprodução/Band TV

As recentes queimadas no Pantanal brasileiro ganharam os noticiários nacionais e internacionais. Para falar sobre elas, assim como as medidas de prevenção, Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, participou do Melhor Agora desta segunda-feira, 26. À apresentadora Mariana Godoy, Salles falou que as chuvas vão ajudar a recuperar o Pantanal. “Tudo deve ser recuperado, é uma questão de tempo e apoio também. O nosso apoio está dado integralmente, tudo o que é necessário, sobre a ótica do governo Federal, está sendo feito. E assim que retomarem as chuvas, vamos ver essa recuperação”. 


Abaixo, leia a entrevista da apresentadora com o ministro:

Quando uma área é preservada, todo mundo quer o crédito. Mas, quando as imagens que ganham o noticiário são de desastres e incêndios, ninguém quer ser responsável. Quanto do bioma original do Pantanal foi perdido com as queimadas? Essas áreas têm recuperação e existe algum exemplo de parceria bem-sucedida nesse trabalho conjunto de municípios, estado e governo Federal?
Estamos fazendo um trabalho de alinhamento com as prefeituras e o governo Estadual, de tal sorte exista, para o próximo ano, um approach um pouco diferente do que foi esse ano. De qualquer modo, algumas ações são importantes nesse trabalho conjunto, por exemplo você permitir que os proprietários rurais – lembrando que 94% da área do Pantanal é configurada por propriedades privadas, portanto áreas que estão sob jurisdição primária dos estados e não do governo Federal – mas, você permitir que os proprietários rurais usem o que chamam lá de ‘fogo frio’, ou seja o manejo preventivo do fogo. Se você faz isso no momento certo do ano, em que há controle, chuvas, enfim, você reduz a massa orgânica, que, uma vez acumulada e seca, vira combustível para as queimadas. Essa é uma situação que esperamos que, no ano que vem, os estados possam, junto com seus produtores, os proprietários rurais lá do Pantanal, possam manejar o uso do fogo no momento adequado e da forma certa, com isso vai reduzir o material orgânico.

Queimadas aconteceram este ano, também, na Califórnia, nos EUA. O motivo foi o mesmo? Isso também o que aconteceu aqui no Brasil?
É a mesma situação. O jornal ‘The Guardian’ escreveu há cerca de um mês e meio, dois meses atrás, uma matéria bastante extensa dizendo que a Califórnia, por uma escolha ideológica, politica, decidiu não fazer o uso manejado, controlado do fogo. O manejo do fogo, em caráter preventivo, serve para limpar o que eles chamam de sub-bosque, que é a vegetação que vai se acumulando e vira combustível para as queimadas. O que aconteceu lá na Califórnia, que aliás, queimou muito mais que o Pantanal, é que acumulou este material orgânico durante anos e quando pega fogo, pega num volume tal, que é muito difícil de combater e se torna um incêndio de grandes proporções. 

E quais são os próximos passos? Qual o interesse do governo Federal em relação ao meio ambiente, em relação a esta área do pantanal e Amazônia?
O governo Federal prestou todo o auxílio para os governos Estaduais, tanto que esse ano, por exemplo, nós aumentamos (com relação ao ano passado) de 1.600 para 3 mil brigadistas; de seis aviões de combate ao incêndio, colocamos 10 em operação; ainda foram seis helicópteros, centenas de viaturas... sem falar da Defesa Civil e das Forças Armadas, que também junto com as Agências Ambientais Federais, estão lá há três meses enfrentando as queimadas com alinhamento aos bombeiros (...). Estamos em um ano que tem altas marcas de temperatura, de calor, e baixa umidade. Talvez as mais altas temperaturas e baixa umidade das últimas décadas, então temos um problema realmente de clima lá, que vai além da questão humana. Esse é um aspecto que tem que ser lavado em consideração.

Para o próximo ano, o preparativo para a temporada mais seca que virá – que todo ano tem temporada mais seca –, são justamente essas ações de limpeza de pasto, de uso preventivo de fogo, de você ter a exata noção de como fazer os aceiros, que são aquelas áreas de prevenção. Aí, isso tem que ser feito junto com os proprietários. Lembrando, repito aqui: 94% da área do Pantanal é constituída por propriedades privadas. Portanto, são os proprietários que estão sujeitos primariamente à jurisdição dos governos Estaduais, que precisam estar engajados e apoiados nesse trabalho. Nós vamos dar todo o apoio que for necessário para a recuperação, regeneração do Pantanal – o Pantanal tem uma capacidade de regeneração muito grande, quando retomarem as chuvas nós vamos ver isso – e, também, apoio e cuidado aos animais. 

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Quanto do que foi perdido será recuperado?
Tudo deve ser recuperado, é uma questão de tempo e apoio também. O nosso apoio está dado integralmente, tudo o que for necessário sobre a ótica do governo Federal está sendo feito. E assim que retomarem as chuvas, vamos ver essa recuperação.

Como está o controle dos garimpos ilegais?
Tem sido feita a fiscalização, só que você tem que lembrar que a Amazônia é do tamanho de toda a Europa Ocidental junta. Nós temos reservas indígenas que estão em cima de grandes reservas minerais, pessoas de fora e os próprios indígenas que fazem mineração dos mais variados tipos, de ouro, diamante, manganês e outros ativos. É preciso haver uma regra. A Constituição de 88 prevê que deveria ser feita a regulamentação da mineração em terras indígenas, mas isso nunca aconteceu. Aí vem a ‘política do avestruz’, que eu digo: as pessoas enviaram a cabeça no buraco para dizer que o problema não existe. Quando se faz isso, vai aumentando a mineração ilegal; não é mais lógico ter uma regra, um licenciamento ambiental que possa ser cumprido, obedecendo as práticas ambientais? 

Ministro, minha última pergunta é sobre se o senhor, como membro do governo, e morador aqui da cidade de São Paulo, vai tomar a vacina contra o coronavírus?
Olha, a gente pode tomar as vacinas no momento em que elas forem aprovadas. Não é recomendável que você saia tomando medicamento ou vacina, ou qualquer coisa, antes que ela tenha sua eficácia aprovada e seu registro deferido. Havendo isso, não vejo problema nenhum.

E tudo bem se em São Paulo for a vacina feita pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa Sinovac?
O presidente Bolsonaro fez a declaração correta. Não é o caso dela ser chinesa ou de outro lugar, a questão é que nós não teremos os brasileiros servindo como cobaias humanas de coisas que não estão aprovadas. Quando a vacina tiver sido aprovada e devidamente deferida (não sei qual o tema que se usa na Anvisa para isso), as pessoas vão tomar. O presidente não disse nada diferente disso. 

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