Amoroso diz que poderia estar no SP até hoje

Dez anos após o título da Libertadores, ex-atacante disse ao Portal da Band que não ficou no clube porque a diretoria não o procurou

Um dos destaques do São Paulo na campanha do tricampeonato da Libertadores, que completa dez anos nesta terça-feira, Amoroso defendeu o clube por apenas seis meses, mas poderia ter sido mais. Em entrevista exclusiva ao Portal da Band, o ex-atacante disse que gostaria de ter permanecido por muito mais tempo, mas não foi procurado para renovar.

O jogador deixou o clube em dezembro, após o término de seu contrato. Livre, acabou acertando com o Milan, da Itália, antes de retornar ao Brasil para defender o Corinthians, em 2006.

Autor de dois gols em quatro partidas na Libertadores (contra o River, em Buenos Aires, e Atlético-PR, no Morumbi), além de dois gols no Mundial, o ex-jogador, que hoje vive em Miami, nos Estados Unidos, disse que a questão financeira não foi problema e admitiu tristeza por ter deixado o São Paulo após o título mundial, no Japão.

“Eu joguei por 6 meses e queria ficar, mas não recebi nenhuma proposta de renovação. E isso me deixou triste, porque queria ter ficado por muitos anos. Levei até o Milton Cruz, que era o responsável de encaminhar a proposta até a diretoria, mas ele não levou. Como meu contrato teria fim no dia 31 de dezembro, não houve renovação. E não era questão de salário, porque eu ganhava pouco, mas queria ser campeão de tudo”, disse o jogador, que também foi campeão da Copa América pela Seleção.

“No pouco tempo que fiquei no São Paulo, conquistei mais títulos do que muita gente que ficou mais tempo que eu e não ganhou nada”, completou.

Amoroso também comentou sobre o jejum de títulos do São Paulo na Libertadores e disse que os jogadores atuais precisam chamar mais a responsabilidade em campo.

“Hoje todo mundo tem medo de falar, porque tem que garantir dentro de campo e assumir a bronca, como eu assumia, o Luizão, o Souza, o Lugano... A gente não viu isso em campo nos últimos dez anos. A torcida cobra porque é acostumada com títulos e quer ganhar outra Libertadores”.

Apesar da saída precoce, o jogador disse que guarda o clube no coração até hoje. Ele relembrou sua chegada e ressaltou a confiança dada por Paulo Autuori e a amizade com Rogério Ceni, Júnior e, principalmente, Luizão, seu companheiro na base do Guarani. Confira a entrevista na íntegra:

Portal da Band – Por que você decidiu voltar para o Brasil em 2005 após tanto tempo fora do país?

Amoroso  –  O convite veio através do meu empresário. Na época, eu era do Málaga e tinha um contrato quase assinado com o Alavés, mas apareceu a oportunidade de jogar a Libertadores, com um grande companheiro e amigo que era o Luizão, seria fácil o entrosamento. Tudo isso facilitou.

O Luizão foi fundamental para sua decisão?

Eu tinha uma amizade grande com ele desde os 15 anos, começamos juntos no Guarani. Infelizmente, aconteceu a contusão do Grafite, mas quando soube que ele [Luizão] seria meu companheiro de ataque, ajudou.

Mesmo com pouco tempo de treino, você estreou contra o River Plate [na semifinal] e caiu como uma luva no time. Não sentiu nenhum tipo de pressão?

Por ter jogado 11 anos fora, não senti pressão, era um jogador experiente. Eu nunca tinha disputado uma Libertadores, e o time do River não me conhecia, então foi perfeito. Já tinha uma amizade com o Rogério Ceni, com o Júnior e o Luizão, além da confiança que o Paulo Autuori depositou em mim, dizendo que eu era a peça que faltava.

Você marcou o primeiro gol da final contra o Atlético-PR, no Morumbi. Ali caiu a ficha de que o clube seria campeão?

Na verdade, a ficha caiu na semi, contra o River Plate. Foi a final antecipada. Com todo respeito ao Atlético, mas o River tinha um time bem mais forte. Na época, o Antônio Lopes [técnico do Atlético-PR] ficou bravo comigo quando eu disse que poderia mudar o nome de Morumbi para “Morumtri”, mas tínhamos um time imbatível na América do Sul.

Qual era o diferencial daquele elenco?

Era a união do grupo, o elenco ficou fechado, todos os jogadores em busca do mesmo objetivo. O São Paulo vinha de uma fila de 12 anos sem ganhar, mas o time era muito forte, com ótimos jogadores.

O título da Libertadores e, posteriormente, o Mundial, foram os maiores da sua carreira?

Eu já ganhei muitos títulos na Europa e também a Copa América com a Seleção [em 1999], mas ganhar uma Libertadores é diferente, ainda mais por um time com tanta tradição, e para mim, em pouco tempo de clube, foi bastante especial.

Depois do Mundial, você acabou deixando o São Paulo. Por que não ficou?

Eu joguei por seis meses e queria ficar, mas não recebi nenhuma proposta de renovação. E isso me deixou triste, porque queria ter ficado por muitos anos. Levei até o Milton Cruz, que era o responsável de encaminhar a proposta até a diretoria, mas ele não levou. Como meu contrato teria fim no dia 31 de dezembro, não houve renovação. E não era questão de salário, porque eu ganhava pouco, mas queria ser campeão de tudo.

Dez anos depois, ficou alguma mágoa?

Não tenho mágoa nenhuma, só tristeza, porque poderia ter ficado muitos anos, era pra estar até hoje no São Paulo. Não teríamos perdido a final de 2006 para o Internacional. Mas faz parte, não se pode agradar todo mundo e não são todos os dirigentes que querem a permanência de um jogador. Queria conquistar títulos e ficar por muito tempo, porém, não foi possível, porque alguns dirigentes não quiseram. Mas o São Paulo ficará guardado para sempre no meu coração.

No ano seguinte, você acabou chegando ao Corinthians e enfrentou o São Paulo no Morumbi. Qual foi a sensação?

Na realidade eu estava sem oportunidades no Milan, o São Paulo não me procurou e pintou a chance de jogar no Corinthians. Tinha uma amizade com o Emerson Leão [técnico do alvinegro à época] de muitos anos, ele me ligou e me pediu para ajudar. Enfrentar o São Paulo foi estranho, porque eram meus amigos do outro lado, tínhamos acabado de ser campeões juntos. Empatamos por 0 a 0 de forma heroica, porque perdemos dois jogadores expulsos logo no começo. Acabou saindo com gosto de vitória.

Depois da sua geração e do time de 2006, o São Paulo sequer voltou a disputar finais de Libertadores. A que se deve isso, na sua opinião?

Acho que falta chamar mais a responsabilidade. Naquele time, todos chamavam. Às vezes, falta algum tipo de declaração para intimidar o adversário, para o rival saber que vai ser difícil ganhar no Morumbi, vai ter que dar o sangue. Hoje todo mundo tem medo de falar porque tem que garantir dentro de campo e assumir a bronca, como eu assumia, o Luizão, o Souza, o Lugano... A gente não viu isso em campo nos últimos dez anos. A torcida cobra porque é acostumada com títulos e quer ganhar outra Libertadores.

Como vê o atual momento do clube com o Juan Carlos Osorio?

É difícil um treinador estrangeiro chegar num clube desse tamanho e fazer sucesso de forma imediata. Primeiro, tem que se adaptar ao estilo e jogo e aos atletas para conseguir resultados a longo prazo e ganhar títulos. Tem também a questão da língua, ele precisa de um intérprete, vai levar um tempo para aprender. Mas o Osorio tem capacidade, ele sabe lidar com esse tipo de ambiente. No Brasil, o grande pecado é o período pequeno em que o treinador fica no clube.

Você foi campeão da Copa América em 1999. Hoje, a seleção acumula fracassos. Como avalia o atual momento?

É um momento péssimo, de incertezas. Infelizmente, há falta de comprometimento. Os jogadores estão bem-sucedidos financeiramente e não vão ser vendidos, porque já estão em grandes clubes. Assim, tanto faz se ganhar ou perder. Temos que voltar a ter comprometimento para impor respeito.

Como está sua vida pós-futebol nos EUA?

Estou trabalhando com construção civil em Miami e tenho um projeto de uma escolinha de futebol aqui. Tenho me dividido entre Miami, Brasil e Itália, porque meu filho [Giovanni Amoroso, de 17 anos] está começando no sub-20 da Udinese-ITA. Como esse foi o ano da transferência internacional pela Fifa, ele disputou muitos amistosos e jogos-treinos, está entrando no time agora.

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