Quarentena já pode ser flexibilizada? Infectologista pede cautela

Segundo o infectologista Marco Aurélio Safadi, o fato do número de mortes e infectados ser menor que o esperado no Brasil é, sim, um êxito das medidas de isolamento praticadas em boa parte do País

O Aqui na Band desta terça, 14, realizou a terceira edição do seu debate sobre o coronavírus e suas consequências. Um dos temas abordados foi a flexibilização da quarentena: será que já é hora de afrouxar o isolamento? No estado de São Paulo, por exemplo, medida segue até o dia 22 de abril.

Para debater o assunto, o programa reuniu especialistas de diversas áreas. O infectologista Marco Aurélio Safadi e o secretário de desenvolvimento regional do estado de São Paulo, Marco Vinholi, falaram sobre o assunto.

Marco Vinholi, por exemplo, garantiu ser muito cedo para aprovar qualquer flexibilização na quarentena do estado de São Paulo: “Governo estadual se prepara para o pior e avalia de que forma temos a evolução. Ainda é cedo para aprovar qualquer flexibilização. São Paulo é uma das cinco regiões do País com maior impacto do coronavirus. O Instituto Butantã também trabalha com o pior cenário. A estratégia de fortalecimento do isolamento é ideal em todos os países e que bom que o resultado tem sido melhor que o esperado. Quando colocamos o índice necessário de isolamento (de 70%), seguimos a OMS. Quanto maior o isolamento, melhor. Isolamento vertical não funcionou em nenhum lugar do mundo, nem em Milão”, defende.

O médico infectologista Marco Aurélio Safadi disse que é preciso cautela para analisar os dados brasileiros e supor uma possível queda na curva de transmissão do coronavírus no Brasil: “Temos que ter humildade para reconhecer que não temos bola de cristal. Há particularidades em cada país. Não dá para comparar Itália, com Brasil, que tem uma população muito mais jovem. São situações distintas. Mas, devemos levar em consideração, sim, experiências de outros países e ter cautela na hora de interpretar os dados. Não acho que passamos do pico. No hospital onde trabalho, nós estamos recebendo hoje os exames que eu solicitei há 15 dias”, alertou o infectologista.

Também segundo Marco Aurélio, o fato do número de mortes e infectados ser menor que o esperado no Brasil é, sim, por causa das medidas de isolamento praticadas em boa parte do País. “Nós, aqui, suspendemos cirurgias, procedimentos não urgentes, nos preparamos melhor frente à países que não tiveram tempo para isso. O que a gente está enxergando agora é êxito, sim, das medidas de isolamento.”

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