Quero viajar para um lugar muito frio, diz Marcel Stürmer após vitória

Campeão da primeira edição do Exathlon fala sobre seus planos para o futuro

Três dias após se consagrar o grande campeão do Exathlon Brasil, Marcel Stürmer esteve nesta segunda-feira, dia 18, nos estúdios da Band, em São Paulo.

Em entrevista ao Portal da emissora, o patinador afirmou que já conseguiu digerir o resultado. "Agora caiu a ficha. Depois de três dias, estou aceitando com muita felicidade a ideia de ter ganhado o Exathlon. Logo que aconteceu foi uma surpresa grande porque eu estava muito mais concentrado na prova, nos pontos que precisava fazer, do que no troféu e na premiação. Mas a final foi muito amigável. Ficou muito claro no programa todo que eu e o Scooby viramos irmãos. Jantei ontem com ele e a Luana Piovani. Essa relação facilitou para que nenhum ficasse com a tensão elevada nos momentos finais do jogo", afirmou.

Com 12 kg a menos - ele deixou o Brasil 68 kg e chegou a 56 kg após passar três meses na República Dominicana - o gaúcho tem planos de fazer uma viagem nos próximos dias para descansar ao máximo. "Quero viajar para algum lugar muito frio, que não tenha coqueiro, onde a alimentação não seja baseada em coco e que não tenha sol pelo menos por umas duas semanas", brincou.

Ainda sem decidir o total direcionamento dos R$ 350 mil que ganhou como prêmio, Marcel tem uma única certeza: vai investir parte do valor nos alunos das duas escolas de patinação que mantém em Porto Alegre e Goiânia. "Eles merecem, ficaram três meses sem mim", disse.

Para o esportista, o que o ajudou a chegar à final foi o fato de saber lidar com seus sentimentos ao longo da disputa. "Minha mente me ajudou a ir para frente. Por mais que eu ficasse muito triste quando eu ia mal em alguma prova, eu usava aquilo como combustível para melhorar o que eu tinha errado. O tempo que fiz parte do time dos Heróis, antes de virar individual, também me ajudou a ser campeão, a fazer minha história lá dentro ter um final feliz", explicou.

"Logo no início do programa, eu me sentia muito rápido, mas não conseguia finalizar bem porque eu não sabia que teria que arremessar coisas, ter boa mira, ter paciência. A patinação nunca me exigiu pressa e no Exathlon era o que eu mais precisava ter. Era uma corrida contra o relógio e contra o adversário. Tive que aprender com as pessoas. Sempre observava quem estava fazendo bem e buscava dicas, treinava na praia. Tentei, durante o programa, não aceitar o fato de que eu era ruim de mira. Eu tinha uma deficiência nesse quesito, mas corri atrás para corrigi-la".

Transformação

Segundo Marcel, ele voltou outra pessoa para o Brasil. "Hoje eu tenho muito mais paciência, minha noção de tempo mudou, tenho mais certezas do que é importante para mim na vida, o que eu quero, quais são as pessoas que não consigo viver sem. Minha relação com a alimentação também mudou muito. É chocante o que acontece com a gente quando estamos com fome. A questão de celular era uma das coisas que eu achei que sentiria mais falta, mas aí você chega lá no primeiro dia e começa a passar fome, e nem lembra da existência do celular", declarou.

"O mais difícil foi o conjunto da obra. São condições que eu nunca tinha passado na minha vida. Eu nunca tinha dormido em um chão de madeira, nunca tinha passado fome, nunca tinha competido tanto na minha vida. E é muito difícil competir todos os dias e não ter a manutenção física necessária, o alimento para reabastecer as energias. É aí a gente se põe no lugar de tanta gente que vive essa realidade. Acho que foi isso que me deu tanta força. Eu procurava pensar que aquilo era uma situação momentânea, que se eu fosse até o final terminaria em três meses, mas tem gente que vive isso constantemente. Hoje a compaixão que eu tenho por isso é mil vezes maior do que eu tinha antes, porque uma vez que você sente isso na pele, você consegue se colocar no papel do outro".

O reality show deixou marcas, algumas não tão boas. Marcel sofreu pelo menos cinco lesões ao longo do programa e agora pretende se cuidar. "Tive infinitos machucados nas canelas, tenho uma lesão crônica que estava adormecida na minha virilha esquerda e reapareceu, machuquei o tornozelo, quebrei um dedo do pé direito, tive um rompimento no tríceps do lado direito. Agora tenho de fazer no mínimo um mês de fisioterapia", disse ele, que não sentia as dores no momento das provas. "No momento em que o Lacombe apitava, eu não sentia mais nada. O único circuito que pegava um pouco era o amarelo, porque a gente começava preso e tinha que pular de uma altura muito grande, e como eu estava com os tornozelos muito machucados, toda vez que eu encostava no solo doía. Algumas vezes eu quase caí para frente porque meu joelho já estava fraquejando no final. Mas tinha prova que eu batia a canela, ficava totalmente inchada na hora, abria um corte, e eu não percebia. Só me dava conta quando estava caminhando de volta para falar com o pessoal do meu time. A adrenalina lá é muito grande".

Assim que deixou a atração, o participante matou um de seus maiores desejos dos últimos tempos: comer chocolate. "Passei o programa inteiro falando de chocolate. Me deu um desejo enorme a partir do terceiro dia e quando eu venci, saí da cerimônia com o troféu e uma produtora veio e me deu um chocolate. Foi uma emoção muito grande. Isso foi outra coisa que mudou para mim. Por ser atleta, sempre cuidei muito do físico, comia regradamente de segunda a sexta-feira e vi que não preciso ser tão rigoroso assim. Se todos os dias eu quiser comer um pedaço de chocolate, com moderação, eu posso, e vou ser mais feliz", garantiu.

Para quem sonha em participar do Exathlon Brasil, ele dá uma dica: "Se prepare muito, muito mesmo, porque realmente é o reality mais difícil da televisão. A patinação me ajudou porque é um esporte de muito treinamento, muita repetição, de equilíbrio e me ajudou a construir resiliência ao longo da minha carreira".

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