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Atualizado em quarta-feira, 17 de maio de 2017 - 09h14

Artistas protestam no prêmio APCA

Cerimônia foi marcada por críticas ao congelamento dos recursos
Emicida criticou a gestão de André Sturm / Raphael Castello/AgNews Emicida criticou a gestão de André Sturm Raphael Castello/AgNews

Na noite da última segunda-feira, 15, protestos marcaram a premiação da Associação Paulista de Críticos de Arte no Teatro Municipal. Artistas da dança, televisão e teatro subiram ao palco e criticaram a gestão do atual secretário municipal de Cultura André Sturm.

Durante a cerimônia, os vencedores na categoria dança levantaram cartazes no palco do teatro e se manifestaram contra o congelamento dos recursos da Cultura promovido pelo atual prefeito de São Paulo João Doria.

Entre eles, o coreógrafo e presidente da Cooperativa Paulista de Dança Sandro Borelli, rejeitou os trinta segundos de fala determinados pela produção e criticou a mudança no novo edital. "Desculpem, mas eu não saí de casa para falar apenas por trinta segundos, vocês não vão me pressionar para falar rápido".

No mês passado, a classe se posicionou contra as alterações no edital do Fomento à Dança que passou a pulverizar a verba para contemplar mais grupos - na última edição foram contemplados oito grupos de pesquisa continuada, agora são vinte companhias, o que diminui os recursos para cada coletivo, considerado insuficiente.

De acordo com a gestão, a mudança pretende evitar a repetição no número de contemplados. O coreógrafo e diretor Alex Soares, premiado pelo projeto de dança contemporânea Mov_Ola, lembrou que no ano passado a categoria foi excluída do Prêmio APCA e agradeceu o retorno à premiação desse ano.

Ele afirmou que seu espetáculo Devolve Duas Horas da Minha Vida só foi possível com o antigo edital. "Aquele era reconhecido pela classe da dança, tinha recordes de inscritos e muita concorrência. Hoje isso não seria possível, porque a atual gestão destruiu o edital".

O rapper Emicida, que apresentou a categoria Música Erudita, também direcionou seu protesto a Sturm e ao congelamento dos recursos. "Uma vez, o homem de gelo disse em uma entrevista que não iria colocar rap no Theatro Municipal. Bem, acho que sou rapper e acho que aqui é o Municipal. Temos que acabar com esse pensamento que envenena a arte".

Se no início da cerimônia a sala de espetáculos estava quase toda ocupada, a cada entrega de troféus o teatro esvaziava. Sorte de categorias como Arquitetura, Artes Visuais e Cinema, que inauguraram a premiação organizada por ordem alfabética com o público ainda presente.

Na última categoria, Televisão, a atriz Selma Egrei, vencedora por sua interpretação na novela Velho Chico, da TV Globo, dedicou o prêmio a Sturm. "Quem sabe assim ele deixa de ser inimigo das artes e passa a ser amigo".

Ao lado da atriz, a mulher do ator Domingos Montagner, Luciana Lima, recebeu o troféu em nome do marido que morreu afogado no Rio São Francisco no ano passado. Na época, ele gravava cenas para Velho Chico. "Já faz oito meses desde que o Domingos fez sua passagem. Para alguns parece muito tempo, mas para nós, os amigos e familiares, sabemos que não importa o quanto o tempo passe. Acredito que ele está, em algum lugar, muito orgulhoso".

Ela ainda relembrou o trabalho do ator e palhaço com a Cia La Mínima, companhia que integrou, e que festeja 20 anos com uma mostra de repertório no Teatro do Sesi.

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