Mocidade pede divisão de título com a Portela após erro

Escola entra com recurso na Liesa depois de justificativa revelar falha no julgamento de Enredo

A Mocidade Independente de Padre Miguel, vice-campeã de 2017, anunciou nesta quinta-feira que ingressou com um recurso administrativo na Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) pedindo que o título do Carnaval deste ano seja dividido com a Portela, assim como a premiação pela conquista. A agremiação convocou uma entrevista coletiva na tarde desta quinta para dar explicações sobre o que pretende fazer após o erro no julgamento do jurado Valmir Aleixo, do quesito Enredo.

A direção da escola tem confiança de vai conseguir convencer a Liesa de que merece ser aclamada campeã junto da Portela, que, pelas notas lidas no último dia 1 de março, na apuração, faturou seu primeiro título após 33 anos de jejum. Mas a advogada da Mocidade, Valéria Stelet, afirmou que este pode ser só o primeiro de muitos capítulos.

“A Mocidade vai recorrer até o último momento para reparar um erro que foi cometido contra a comunidade da Zona Oeste”, disse a advogada, sem confirmar que o caso pode acabar em disputa jurídica. A intenção, segundo ela, é esgotar "todos os recursos administrativos", em respeito ao regulamento da Liesa.

A Liesa agora deve estudar o recurso e tomar uma decisão. Caso a resposta seja negativa para a Mocidade, a escola pode tentar ainda um pleito junto ao Conselho Deliberativo e, em seguida, convocar uma plenária com as escolas. Esgotadas estas instâncias, o caminho seguinte seria a Justiça.

Prazos

No pronunciamento desta quinta, dirigentes da escola leram um comunicado, em que narram todos os passos da escola. Começando com a entrega da primeira versão do roteiro, o chamado livro Abre-Alas, à Liesa, até o envio do texto definitivo – ou seja, com Camila Silva no posto de rainha e sem o destaque de chão “O Esplendor dos 7 Mares”, causador de toda a confusão.

Camila Silva, rainha de bateria da Mocidade
Camila Silva, rainha de bateria da Mocidade - Gabriel Monteiro/Riotur

Segundo a escola, todos os prazos foram respeitados. Os dirigentes inclusive forneceram os horários dos envios dos roteiros por e-mail. A primeira versão do Abre-Alas, por exemplo, foi repassada à Liesa às 23h43 do dia 10 de janeiro, data final estabelecida pela Liga, de acordo com a agremiação. Já versão final, informaram os dirigentes, foi entregue no dia 2 de fevereiro.

A advogada explicou que a opção pelo pedido de divisão, e não pelo título sozinho, se deu por respeito à Portela, que “não tem culpa pelo erro do jurado”. Isso porque, caso a nota de Aleixo fosse 10, e não 9,9, como dá a entender a justificativa, Mocidade e Portela terminariam empatadas, com o desempate se dando no quesito Comissão de Frente, a favor da escola da Vila Vintém.

Entenda o caso

Na última segunda-feira, com a divulgação das justificativas das notas do Carnaval, verificou-se que o julgador Valmir Aleixo, de Enredo, deu nota 9,9 para a Mocidade, pela falta de uma destaque de chão, no caso, Camila Silva, usando a fantasia "O Esplendor dos Sete Mares". No entanto, tal destaque não estava previsto no roteiro da apresentação. Na verdade, Camila desfilou como rainha de bateria, posto que assumiu faltando poucos dias para o Carnaval, substituindo Carmen Mouro. A escola decidiu extinguir o destaque e atualizou seu roteiro.

Posteriormente, descobriu-se que Aleixo usou a versão mais antiga, que previa Camila como destaque de chão, e não o texto novo.

Ao julgar com o roteiro desatualizado, Aleixo acabou prejudicando a Mocidade, que teria ficado com o título caso a nota fosse 10, como o julgador sinaliza em sua justificativa. Ao jornal O Globo, Aleixo afirma que a Mocidade não entregou a versão atualizada.

Veja as fotos do desfile da Mocidade

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